Psicóloga para Trauma
O trauma pode permanecer no corpo, nas relações, no sono, na sensação de segurança ou na forma como a pessoa reage a determinadas situações. A terapia procura criar um espaço seguro para compreender e integrar experiências difíceis.
Talvez seja altura de pedir ajuda quando…
Memórias intrusivas, flashbacks ou sonhos recorrentes.
Hipervigilância, sobressalto fácil ou sensação constante de perigo.
Evitar lugares, conversas ou situações associadas ao acontecimento.
Dificuldade em confiar, sentir o corpo ou regular emoções intensas.
Como a terapia pode ajudar
O acompanhamento terapêutico pode ajudar a estabilizar, compreender respostas traumáticas e trabalhar gradualmente aquilo que ficou sem integração. O ritmo é cuidadoso e respeita os limites de cada pessoa.
O processo é pensado caso a caso. Na página sobre como funciona a terapia explico a primeira consulta, a frequência habitual e o enquadramento de confidencialidade.
Não precisa de ter sido suficientemente grave
Uma das razões mais comuns para adiar ajuda é a comparação. Houve quem passasse por pior. Não foi assim tão grave. Já foi há muitos anos.
O critério clínico não é a gravidade objetiva do acontecimento, é o impacto que continua a ter no presente. Se algo que viveu ainda organiza a forma como dorme, confia, reage ou evita, isso é razão suficiente.
O trauma também não se limita a acontecimentos únicos e dramáticos. Pode resultar de experiências repetidas ao longo do tempo — negligência emocional, humilhação continuada, ambientes familiares imprevisíveis, relações de controlo — que raramente são reconhecidas como traumáticas precisamente por não terem um momento único identificável.
Este tipo de história manifesta-se menos em memórias intrusivas e mais em padrões: dificuldade em confiar, autocrítica severa, sensação de não ter direito a ocupar espaço, ou relações em que se repete algo familiar e doloroso.
O que fica registado para lá da memória
Muitas pessoas procuram ajuda pelo corpo antes de o ligarem a qualquer história: sobressalto exagerado a ruídos, tensão permanente nos ombros e na mandíbula, sono que não descansa, sensação de irrealidade, ou reações intensas e aparentemente desproporcionadas a situações que, racionalmente, não representam perigo.
Nada disto é falta de controlo. São respostas de um sistema nervoso que aprendeu a manter-se em alerta porque, em determinado momento, isso foi necessário — e que ainda não recebeu a informação de que o perigo passou.
É por isso que o trabalho com trauma não pode ser feito apenas ao nível das ideias. Compreender racionalmente que já está em segurança raramente basta para que o corpo o registe.
Como trabalho o trauma
Trabalho a partir de terapias contextuais, sobretudo a Psicoterapia Analítica Funcional (FAP) e a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT).
Na FAP, a própria relação terapêutica é instrumento de trabalho. Como muitas das dificuldades ligadas ao trauma surgem nas relações — desconfiança, hipervigilância, dificuldade em receber cuidado ou pedir ajuda — esses padrões aparecem também em consulta, onde podem ser observados e trabalhados enquanto acontecem, com uma resposta diferente daquela que os originou.
A ACT trabalha a relação com a experiência interna. O evitamento de pensamentos, memórias e sensações é compreensível e foi muitas vezes necessário, mas a longo prazo exige esforço permanente e vai estreitando o espaço de vida. O trabalho procura reduzir o poder dessas experiências sobre o comportamento, sem exigir que deixem de existir.
Estabilizar vem primeiro
Há um princípio partilhado por praticamente todas as abordagens sérias ao trauma: não se trabalha o conteúdo traumático antes de existir estabilidade suficiente para o suportar.
A primeira fase do acompanhamento é dedicada a isso — compreender como o seu sistema reage, identificar sinais precoces de sobreativação, desenvolver formas de regular o corpo e estabelecer apoios no dia a dia. Muitas pessoas beneficiam significativamente apenas desta fase.
Só depois, e apenas se e quando fizer sentido, se avança para o trabalho de elaboração. Se em algum momento sentir que o processo está a avançar depressa demais, dizê-lo faz parte do trabalho e não o interrompe.
Antes de começar
Tenho de contar tudo na primeira consulta?
Não. A terapia respeita o seu ritmo. A primeira consulta serve para acolher o pedido e perceber o que é seguro abordar nesse momento.
O trauma pode afetar o corpo?
Sim. Muitas pessoas sentem tensão, sobressalto, bloqueio, alterações no sono ou sensações corporais difíceis de explicar.
É possível fazer terapia online para trauma?
Pode ser possível, dependendo da situação clínica, da segurança do espaço e dos objetivos do acompanhamento.
Preciso de um diagnóstico de perturbação de stress pós-traumático?
Não. Muitas pessoas com impacto traumático significativo não preenchem critérios de diagnóstico, e isso não torna o seu sofrimento menos legítimo nem menos merecedor de acompanhamento.
Quanto tempo demora o acompanhamento?
Não é possível indicar um número de sessões à partida com honestidade. O trabalho com trauma tende a ser mais prolongado do que outros acompanhamentos, sobretudo quando envolve experiências repetidas ou precoces, e começa sempre por uma fase de estabilização.
A FAP e a ACT substituem o EMDR ou a terapia cognitivo-comportamental?
Não são alternativas em competição. São abordagens diferentes, com evidência própria, e a escolha depende da pessoa, do tipo de trauma e da fase do processo. Se outra abordagem for mais indicada para o seu caso, digo-o com clareza.
O que acontece se me sentir mal durante uma sessão?
Faz parte do trabalho previsto. Existem estratégias de regulação usadas em sessão para retomar estabilidade antes de terminar, e o ritmo é ajustado a partir daí. Nenhuma sessão deve acabar com a pessoa a sair em sobreativação.
Podemos conversar numa primeira consulta.
Consulta a partir de 48€. Pode ver todos os valores em preços ou avançar diretamente para a marcação.