A terapia online deixou de ser uma alternativa de recurso. Para muitas pessoas passou a ser a modalidade preferida — não por falta de opção, mas por funcionar melhor com a vida que têm.
Ainda assim, continua a haver dúvidas legítimas sobre se resulta, como decorre e para quem faz sentido.
Funciona mesmo?
É a primeira pergunta, e a mais importante.
A investigação acumulada nas últimas duas décadas aponta consistentemente para resultados comparáveis entre psicoterapia realizada por videochamada e psicoterapia presencial, na generalidade das dificuldades emocionais e comportamentais mais comuns — incluindo ansiedade, depressão e stress.
Isto surpreende quem assume que a presença física é o ingrediente essencial. Mas o que a investigação identifica como fator determinante em psicoterapia é a qualidade da relação terapêutica — e essa relação estabelece-se por videochamada com menos dificuldade do que se esperaria.
Convém dizer com clareza que isto não significa que a modalidade online seja adequada a todas as situações. Significa que, para a maioria dos motivos que levam alguém a procurar terapia, não é uma versão inferior.
Como decorre, na prática
As sessões decorrem por videochamada, em Google Meet, com a mesma duração das presenciais — cerca de 50 minutos — e a mesma estrutura.
Recebe previamente uma ligação para a sessão. Não precisa de criar conta nem de instalar programas: basta abrir a ligação no navegador à hora marcada.
O enquadramento é idêntico ao presencial. A primeira sessão serve para perceber o que o traz à terapia, esclarecer o funcionamento e definir uma proposta de trabalho. A frequência habitual é semanal na fase inicial.
O que precisa do seu lado
Uma ligação estável. Não precisa de ser rápida — precisa de ser constante. Uma ligação por cabo ou uma boa cobertura Wi-Fi é preferível a dados móveis instáveis.
Um espaço reservado. Este é o ponto que mais influencia a qualidade da sessão. Precisa de um local onde possa falar sem ser ouvido e sem ser interrompido.
Auscultadores. Melhoram a privacidade e a qualidade do áudio. É a diferença mais fácil de obter.
Um dispositivo estável. Computador ou tablet apoiado numa superfície são preferíveis ao telemóvel na mão, que cansa e distrai.
Alguns minutos antes e depois. Uma das vantagens da consulta presencial é a deslocação, que funciona como transição. Sem ela, é comum sair de uma reunião e entrar diretamente na sessão. Reservar cinco minutos antes e depois faz diferença real.
Se não tiver um espaço privado
É a limitação mais frequente, sobretudo em casas partilhadas ou com crianças pequenas. Algumas soluções que costumam funcionar:
O carro estacionado é, surpreendentemente, uma das opções mais usadas — é privado, insonorizado e disponível. Auscultadores com microfone permitem falar em voz baixa e continuar a ser bem ouvido. Alguns escritórios de coworking alugam salas pequenas à hora. E marcar em horários em que a casa está vazia resolve muitos casos.
Se nada disto for possível, vale a pena dizê-lo. É um problema prático, e pode ser resolvido em conjunto.
Confidencialidade
Aplicam-se exatamente as mesmas regras de sigilo profissional da consulta presencial, previstas no Código Deontológico da Ordem dos Psicólogos Portugueses.
Do lado técnico, a plataforma utilizada tem comunicação encriptada e as sessões não são gravadas — nem por mim, nem por si. Se em algum momento fizer sentido registar alguma coisa, será conversado e depende do seu consentimento explícito.
Do seu lado, há duas precauções que valem a pena: evitar redes Wi-Fi públicas para as sessões, e usar um dispositivo pessoal em vez de um equipamento da empresa, quando possível.
Para quem funciona particularmente bem
Quem vive fora dos grandes centros. O acesso a acompanhamento especializado deixa de depender da geografia.
Emigrantes e pessoas que vivem no estrangeiro. Poder ser acompanhado na sua língua, com as suas referências culturais, sem ter de traduzir o que sente, faz uma diferença clínica real. É uma das razões mais frequentes para procurar terapia online.
Quem tem horários difíceis. Turnos, viagens frequentes ou disponibilidade imprevisível tornam a modalidade online muito mais compatível.
Quem tem limitações de mobilidade ou dificuldade em deslocar-se.
Quem tem responsabilidades de cuidado. Pais de crianças pequenas ou cuidadores de familiares dependentes conseguem, com frequência, encaixar uma sessão que presencialmente seria impossível.
Quem se sente mais à vontade à distância. Para algumas pessoas, sobretudo com ansiedade social, estar no seu próprio espaço facilita a abertura nas primeiras sessões.
Quem quer manter continuidade. Mudanças de cidade, deslocações prolongadas ou períodos fora deixam de interromper o processo.
Quando não é a melhor opção
Ser honesto sobre os limites é parte de trabalhar bem.
A modalidade online pode não ser adequada em situações de risco elevado, incluindo ideação suicida ativa, em que a proximidade física e a articulação rápida com outros serviços são importantes. Também não é indicada quando não existe qualquer espaço com privacidade, quando há dependência ativa de substâncias que exija enquadramento mais estruturado, ou perante quadros clínicos graves que requeiram acompanhamento presencial integrado.
Em alguns casos de trauma, a decisão depende da fase do processo e é avaliada caso a caso.
Se, ao longo do acompanhamento, se tornar claro que a modalidade online não é a mais adequada à sua situação, é isso que lhe direi — e ajudarei a encontrar alternativa.
A terapia online não é serviço de emergência. Em situação de risco imediato em Portugal, contacte o 112 ou a linha SNS 24 — 808 24 24 24.
Portugal e Brasil
As consultas online estão disponíveis para adultos em Portugal e no Brasil, com ajuste de horário aos diferentes fusos.
Para residentes no Brasil existem opções de pagamento em reais, com o valor ajustado conforme o câmbio para euros. As condições são confirmadas antes da primeira sessão, sem surpresas.
Para quem emigrou, esta continuidade tem um valor particular: permite manter acompanhamento na própria língua durante um período em que quase tudo o resto mudou. É um tema que trabalho com frequência, e sobre o qual escrevi em luto migratório.
Presencial ou online?
Não há uma resposta universalmente melhor.
A modalidade presencial oferece uma separação física clara entre a sessão e a rotina, e a deslocação funciona como ritual de transição. Para algumas pessoas, isso é importante.
A modalidade online oferece flexibilidade, elimina deslocações e permite acompanhamento independentemente de onde esteja. É também ligeiramente mais acessível: 48€ por sessão, contra 60€ na modalidade presencial.
Não tem de decidir definitivamente à partida. Muitas pessoas alternam entre as duas conforme a fase, e essa alternância não prejudica o processo.
Em resumo
A terapia online é uma modalidade com eficácia comparável à presencial para a maioria das dificuldades, com o mesmo enquadramento ético e de confidencialidade. Precisa apenas de ligação estável, espaço privado e cerca de 50 minutos.
Se estava a adiar por não ter a certeza de que resultaria, essa não é razão suficiente para continuar a adiar.
Pode ver como funcionam as consultas online, esclarecer dúvidas nas perguntas frequentes, ou marcar diretamente.
A terapia online é tão eficaz como a presencial?
A investigação disponível indica que, para a maioria das dificuldades emocionais e comportamentais comuns, a psicoterapia online apresenta resultados comparáveis aos da modalidade presencial. A escolha depende sobretudo da situação clínica e da preferência de cada pessoa.
De que preciso para fazer terapia online?
De uma ligação estável à internet, um dispositivo com câmara, um espaço reservado onde possa falar sem ser interrompido e, idealmente, auscultadores. Não é necessário instalar software complexo.
A consulta online é confidencial?
Sim. Aplicam-se exatamente as mesmas regras de sigilo profissional da consulta presencial, previstas no Código Deontológico da Ordem dos Psicólogos Portugueses. As sessões não são gravadas.
Posso fazer terapia online a partir do estrangeiro?
Sim. As consultas online estão disponíveis para adultos em Portugal e no Brasil, com ajuste de horário aos diferentes fusos. É uma opção frequentemente procurada por emigrantes que preferem ser acompanhados na sua língua.
Escrito por
Danielle Liz Rossignoli
Psicóloga clínica em Lisboa, inscrita na Ordem dos Psicólogos Portugueses sob a cédula 28130. Acompanha adultos presencialmente em Telheiras e online para Portugal e Brasil, a partir de terapias contextuais como a ACT e a FAP.